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Como reduzir custos com gestão de resíduos sem perder a conformidade

Resíduos / Diagnóstico Setembro de 2026 MVA Ambiental

Quase toda empresa que quer reduzir custos com gestão de resíduos começa pela mesma porta: ligar para o transportador e pedir desconto na tonelada. É a porta com menos espaço. A conta cresce muito antes da coleta, dentro da operação, quando material sem periculosidade entra na rota de resíduo perigoso e quando material com valor de mercado sai misturado no mesmo contêiner do rejeito.

A Lei 12.305/2010 já define a sequência no artigo 9º: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e, só no fim, disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. A ordem foi escrita como prioridade de gestão, mas funciona igualmente bem como ordem de custo. A tonelada mais barata é a que não foi gerada; a segunda mais barata é a que voltou para o processo. Negociar preço acontece no último degrau, que é justamente onde a margem de manobra é menor e onde o mercado já cobra o que cobra.

O maior item isolado da conta costuma ser a classificação. A ABNT NBR 10004 separa os resíduos em Classe I, perigosos, Classe II A, não inertes, e Classe II B, inertes, e essa letra define tudo o que vem depois: o tipo de transporte, a licença que o destinatário precisa ter, o tratamento admitido e o preço. Quando a classificação é feita por precaução, no olho, o resultado previsível é a empresa pagar rota de perigoso por material que nunca foi perigoso.

A correção não é administrativa, é laboratorial: caracterização com laudo de ensaio, que sustenta a reclassificação diante do órgão ambiental e abre rotas de destinação fechadas por uma letra errada na planilha.

Depois da classificação vem a segregação, e aqui o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, divulgado pela ABREMA em dezembro de 2025 com dados de 2024, dá a dimensão do que se perde. O país gerou mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos no ano. Apenas 8,3% do total, cerca de 6,7 milhões de toneladas de papel, plástico, alumínio e vidro, chegaram ao reprocessamento. Do volume que seguiu para disposição final, 58,5% entrou em aterro sanitário licenciado. Traduzido para dentro de uma empresa: quando papelão, plástico e metal descem no mesmo contêiner do rejeito, a carga inteira passa a valer o preço da pior fração que existe dentro dela, e o que poderia ter sido receita vira despesa de aterro. Um estudo gravimétrico resolve a dúvida sobre a composição real do que sai pelo portão, e costuma revelar um percentual de reciclável bem acima do que a operação imagina.

A pressão regulatória caminha na mesma direção do bolso. O Planares estabelece que a massa de resíduos recuperada chegue a 20% em 2026 e a 48,1% em 2040, o que empurra o custo da rota de aterro para cima ao longo do tempo. Em Santa Catarina, a Portaria IMA 009/2026, de 14 de janeiro de 2026, reorganizou o uso do Sistema MTR e tornou a Declaração de Movimentação de Resíduos trimestral a partir de julho de 2026, com envio no primeiro mês seguinte ao período reportado. Quem não tem controle do que sai por mês descobre o problema no fechamento do trimestre, sem tempo de corrigir.

Existe ainda a economia que custa caro. Contratar o destinatário mais barato sem verificar licença ambiental vigente não transfere risco: o artigo 27, parágrafo 1º, da Lei 12.305/2010 mantém a responsabilidade no gerador mesmo depois de contratado o serviço de coleta, transporte ou destinação. Dar destinação em desacordo com a legislação é infração do artigo 62, inciso V, do Decreto 6.514/2008, punida com as multas do artigo 61, que vão de R$ 5.000 a R$ 50 milhões. Uma diferença de alguns reais por tonelada não cobre esse intervalo.

Um teste rápido: você sabe dizer, em quilos, quanto a sua empresa gerou de cada classe de resíduo no mês passado, e quanto disso foi para reciclagem? Se o número não existe fora da nota fiscal do transportador, não há como saber se o custo atual é alto ou baixo. Sem linha de base, toda meta de redução é palpite.

É esse levantamento que a MVA Ambiental faz no diagnóstico de resíduos: caracterização e classificação do que a operação gera, análise da segregação na origem, conferência das licenças dos destinatários contratados e um plano com as medidas ordenadas por economia esperada e esforço de implantação. Conformidade e custo caem juntos quando a informação existe. Para começar pelo que dá para verificar hoje mesmo, baixe o checklist gratuito com os 10 pontos que mais derrubam a conta de resíduos.

Checklist: 10 pontos que derrubam o custo da gestão de resíduos

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